florices

George acordava todos os dias às seis da manhã. Estava sempre possuído por um mau-humor sem tamanho. Irritava-se fácil. Certo dia, levantou, pisou na cerâmica branca, lavou o rosto e, como de costume, encarou-se até entender por que ainda vivia. O dia estava ensolarado e ele estava atrasado. Arrumou-se e nem comeu. Correu para sair e, ao abrir o portão, deu de cara com um temporal violento. Regressou, perplexo. Olhou pela janela da quarto: Sol. Abria o portão: Chuva. Que espécie de loucura estava acontecendo? Beliscou-se. Não era um sonho, ou pesadelo. O que estava acontecendo? Perguntou-se erroneamente. Não possuía respostas, mas considerava, o seu ato de cogitar perguntas, mais importante que as respostas. Sentou-se, ficou inquieto, inconformado, inconsolável, estava um caos lá fora e ele estava perdendo um dia de trabalho. Trabalho que ele gostava, mesmo que não desse tanto dinheiro. Era uma distração, um modo diferente de ver as pessoas. Todos os dias ele via gente correndo para um emprego que provavelmente não gostava. E ele se divertia. O chamavam de vagabundo, mas ele já era bacharel em direito. Só decidiu ser malabarista para poder observar as pessoas e tentar entender por que estão sempre tão presas as coisas e outras pessoas. Fazia o que gostava, sempre quis ser malabarista e foi muito criticado. Ainda era, mas não se importava. Apesar do mau-humor, era um cara legal. Era filósofo de boteco nas horas vagas, mas isso também não importava muito. Odiava o sol. Tinha olhos sensíveis a luz. Dentro de sua casa era um pesadelo. Lá fora era um sonho. Sonhava em sair de casa, mas tinha medo da mudança brusca. Então deitou-se para dormir e acordou. Não acordou de um sonho, acordou de um transe. Estava preso em sua própria mente. Quando deu por si, estava fitando o chão vermelho. Pensando… E sendo devorado por seus pensamentos.

Existe uma linha tênue entre o pesadelo e o sonho.  
Perdi mais de a metade de meus seguidores :’(

Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no ano novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante, e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de ano novo e pra falar: “Que cê acha amor?”. Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua. Se você for chata, suas amigas perdoam. Se você for brava, suas amigas perdoam. Até se você for magra, as suas amigas perdoam. Mas… experimente ser amada.

Luís Fernando Veríssimo.  

Eu não te perderei por deixar de lembrar de pequenas coisas que significam o mundo para você.

Eu me lembrarei quando você esquecer.
Eu não te perderei por não perceber que você percebe tudo em mim: o uso da pontuação adequada, que diz a mim, a continuação em vez da finalidade, o seu silêncio quando você está prestes a fazer uma pergunta, mas você acha que qualquer coisa que você está prestes a dizer para mim, seria idiota, seu zumbido sem sentido quando está muito quieta, sua caligrafia quando você assina o seu nome em folhas de papel em branco, o seu riso mudo quando você está tentando ser educada, e mais e mais do que você é, e o que você não sabe sobre si mesma, porque eu presto atenção.
Você me lembrará quando eu esquecer.

Eu não te perderei nem um segundo por fazê-la sentir-se menos da beleza que você é. Ou fazê-la sentir que é substituível. Sofrer pela falta de carinho, fazê-la sentir que é fugaz. Você quer que eu fique. Então não farei se sentir inadequada. Você precisa saber que é suficiente e que não precisa mudar nada em você, nem para ninguém, porque você é o que você é, e você é gentil, bela e boa.

Eu devo aprender com você.

Eu devo traçar os seus pontos mais fracos. Eu irei escrever para você, lembrando que estarei aqui. E deverei saber quanto tempo você leva para desistir, para estar lá e abraçá-la quando estiver prestes a fazer isso.

Eu devo amá-la porque muitos tentaram e falharam. E você quer saber que é digna de ser amada e que é digna de ser mantida.
E é assim, que eu irei ficar com você.

Como não perde-lá. — Alexandria J, 

Você tenta de todos os jeitos se livrar do problema. Mas fugir de si mesmo é complicado. Você se depara contigo todas as vezes, no fim das contas, no mesmo lugar. Do mesmo modo, perdido, sozinho. Não tendo uma casa para ser chamada de sua, sem ter um amigo para dizer que é para sempre. Pois o para sempre, sempre roda e acaba estagnando no mesmo lugar. Num escuro de lágrimas que gostam de serem chamadas de decepção. Decepção que se alastra e devasta um coração solitário, que só buscava por um pouco de paz e de um lugar quentinho para descansar do mundo, de si, do amor inexistente. De gente que só olha para o próprio umbigo e não pensa que o problema do outro merece solução. Gente que come gente por dinheiro e esmaga sonhos por diversão. Encontrando-se perdido nessa confusão, meu coração fugiu sozinho, em busca de uma paixão e me deixou aqui esperando por sua volta desde então.

Borbulhar  

Eu não quero exista algo além de nós. Só quero te pedir um favor, e acho muito justo. Não me esquece por ai em uma esquina qualquer, dentro de um copo na mesa de um bar, um número perdido na agenda do celular, ou a lembrança de quando o dia acabar. Me leva contigo, me prende na mente, não esqueça que esse amor foi feito pra gente. Quando encostar a cabeça no travesseiro, deixe que seus pensamentos fluam com o silencio, sentindo os acordes de um momento, com a sinfonia sem som, vista na clareza da escuridão. É ali que gente se encontra. Mas eu só te peço isso, porque fugir do destino é inútil. Então pra que dificultar tentando esquecer o que o tempo não pode apagar? De uma coisa eu sei, a certeza que temos antes de dormir não é a mesma que aparece em uma manhã de arrependimento.

Carol Alves & Sean Wilhelm. 
Eu podia emoldurar você,

 

Ou as coisas que você diz.

Te devorar, de ponta cabeça.

Eu podia te pôr na parede

Te observar e ser feliz.

Mas eu preciso do seu toque

Mesmo que você pareça ser um monumento

Tão frio, de cimento.

Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar…

O Vendedor De Sonhos.   

Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo.

Legião Urbana.